DA IMPORTÂNCIA DAS PERGUNTAS

 

Neste fim de semana tive a honra e o prazer de participar de um evento em Curitiba, brilhantemente organizado por Lincoln Sensei e seu grupo, com a colaboração e participação de outros grupos e Dojos vinculados a organização criada pelo nosso saudoso Kawai Shihan, o introdutor do Aikido no Brasil.

Durante este grandioso evento tive a felicidade de exercer e praticar um hábito muito salutar e útil que tenho procurado adotar no meu dia a dia, visando um melhor desenvolvimento como ser humano e, acredito, extensivamente positivo a todos os envolvidos em minhas relações, que é o ato de fazer questionamentos (ou “na dúvida pergunte”). Explico: andava curioso com uma nova forma de fazer ukemis que algumas pessoas andam fazendo. Como neste evento estavam presentes algumas destas pessoas, vislumbrei a oportunidade de tentar entender melhor a questão, pois queria, primeiramente, entender a origem da mudança. Não vou entrar em detalhes técnicos sobre a mudança em si, porque não é este o propósito deste texto. A ideia é jogar luzes na importância de criarmos o hábito de fazermos perguntas.

Na medida em que me questionei sobre a validade da “inovação” na prática de algo já tradicional no Aikido, procurei fugir da facilidade de apenas fazer uma crítica vazia, principalmente por não ter elementos para melhor entender a questão. Diante disso chamei o grupo todo ao qual estava ministrando o Keiko (treino) e perguntei, de coração aberto, o porquê daquele formato. Já adianto: foi uma experiência muito gratificante conversar com todos ali presente e perceber, nos olhos daquelas pessoas, que todos nós compartilhamos da mesma energia e das mesmas preocupações, ou seja, buscar a prática de um Aikido cada vez mais inclusivo, respeitoso e harmonioso, principalmente entre seus instrutores e Sensei(s), um ambiente muito salutar.

 

Durante o questionamento, conseguimos conversar e apresentar ideias sem ranço e sem dogmas e sem que nenhum de nós, tenha se alçado a “dono da verdade”. Olhando no fundo do olho de cada um dentro do tatame não percebi contrariedades, mas disposição a um diálogo sincero. Apesar de sairmos ainda com nossas próprias convicções, novas perspectivas surgiram para meditar sobre o assunto abordado.

Acredito que o hábito de fazer perguntas e escutar as respostas com coração aberto  nos faz bem, assim como em um keiko o Uke executa um ataque sincero (questionamento) e um Nague o recebe (yudo) executando alguma técnica(resposta) e reage a este ataque com um Aikido repleto de seriedade, atenção e sinceridade.

 

Já disse alguém no passado que “o mais importante são as perguntas” pois as respostas surgem após algum questionamento. Podemos até dizer que a pergunta sincera é a mãe do conhecimento. Às vezes nos foge a chance de fazer a pergunta no momento certo, mas isso é um mentalismo nosso. Se hoje não foi possível efetivar o questionamento não importa, o mundo gira. A oportunidade para a pergunta poderá aparecer novamente. Por exemplo: – se ontem alguma pessoa teve um comportamento estranho ou estava fora de seu centro e não foi possível ter com ela um “diálogo” respeitoso, não importa. Quando surgir nova oportunidade, façamos então, as perguntas necessárias. Remoer dúvidas e suposições, só serve para criarmos energias negativas, a atitude positiva é trazer as dúvidas à luz, ao ar, ao convívio com seus semelhantes, com seus iguais.

Para concluir, a mensagem que fica é: Não devemos criar as minhocas da ignorância em nossas cabeças, devemos cultivar as perguntas certas para as horas próprias.

 

Grato e até breve

 

Vargas Filho
Whatsapp: +5551982274553

O “SURTO”

Meus amigos, hoje vou publicar um alerta de utilidade pública.

Segundo fui informado, anda pela nossa cidade um surto de Pneumonia, ela começa de uma forma dissimulada, como se fosse uma Virose, enganando até alguns médicos “afoitos” que logo simplificam para uma Virose, principalmente os do SUS, ela inclusive nos leva a não votar ou votar em qualquer coisa. Soube inclusive de casos que por falta de um melhor diagnóstico, agora estão até internados em CTI, para tratamento forte.

No meu caso felizmente tomamos a iniciativa de no segundo dia de febre realizarmos, por conta própria, um Hemograma Simples, recomendo, é barato e indolor, não adianta ficar reclamando do governo ou qualquer coisa parecida com isto, temos que agir, uma desobediência civil seletiva por exemplo. o resultado do Exame, me levou a procurar um médico particular, que então, desconfiou do meu Pulmão e pediu exames complementares que levaram ao diagnóstico, a pirâmide basal do meu pulmão direito com problemas, tá igual à Pirâmide Social brasileira, precisando de uns concertos. Parei de pagar meu Plano de Saúde e coloquei o dindin numa poupança para emergências, já que é crime não pagar impostos, acho que fiz um arremedo de “desobediencia”, pensei fora da caixa, pense, PENCE. 

Assim fiquem atentos, “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, mas sem conotações políticas. Ou sim, não sei, tô meio confuso, deve ser por causa da tosse horrível que tá resistindo a me largar.

Lembranças

 

Não sei bem por que, mas sempre tive uma fascinação por desmontar coisas. No início estraguei  alguns relógios, despertadores e outros objetos domésticos para ver como funcionavam e acredito que uma consequência ou talvez causa desta curiosidade foi o fato de adquirir uma ótima visão espacial que me facilitou a trabalhar com meu Avô na sua oficina de maquinas de escritório, maquinas de datilografia e antigas máquinas eletromecânicas de calcular, em algum momento nos anos 70. Acredito também, que o fato de ter desenvolvido uma boa visão espacial, ou talvez, ja ter nascido com ela, ajudou a compreender a mecânica dos movimento nas artes marciais, me levando também a outras atividades psicomotoras como o Yoga e terapias alternativas em que se tornava importante tal qualidade.

Desde os oito anos já havia se manifestado outro elemento que hoje parece fazer parte da minha personalidade, aquilo que modernamente chamam de veia “empreendedora”, pois “aquele piá de calças curtas” juntava em casa jornais velhos, garrafas e metais para vender a um carroceiro que passava pelas ruas do IAPI gritando “Compro jornais, vidros e ferro-velho!!” colocando todos os itens que eu havia juntado e pesava em uma balança de latão que hoje só se vê em antiquários. Mais alguns anos e outra fonte de renda surgiu quando, aos domingos que me eram livres, ia engraxar sapatos no estádio do Zequinha (sede do Esporte Clube São José de Porto Alegre). Isto era muito divertido, ao mesmo tempo que trabalhava fazia algo aliado a uma certa adrenalina, por que tinha que entrar no estadio sem pagar, pulando a cerca ou achando uma maneira de enganar os “guardas”, estas peraltices dariam muitas estorias. Sempre quis ganhar meu sustento fazendo algo que gostava e que fosse prazeroso.

Meu Pai foi líder sindical numa época difícil que durou do inicio dos anos 50 até o meio da década de 70, período de muita perseguição política. Ele foi preso várias vezes sendo a primeira nos anos 50 quando o Presidente Getúlio suicidou-se e alguém tinha que pagar o “Pato”, época que se iniciou uma série de perseguições políticas. Quando ele não estava preso, estava viajando, participando de reuniões sindicais e participando de manifestações e reuniões, sempre apoiando ações em benefício dos trabalhadores e dos necessitados. Era um idealista, sempre preocupado com as condições de miserabilidade do Povo, ainda que com tamanha dedicação sua própria família estivesse passando por necessidades financeiras.

Quando tinha 13 anos, a única renda fixa familiar era o pequeno  salário de minha mãe, escriturária da Secretaria do Trabalho. Como estávamos com dificuldades financeiras, fui trabalhar no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) como Office-Boy (Mensageiro), eis que naquela época a legislação permitia um adolescente trabalhar com tal idade, nesta época, em função do trabalho, tive que estudar à noite. Está foi uma das poucas vezes em toda a minha vida trabalhei como empregado, 90% do tempo, meu sustento veio de atividades autônomas  e em alguns períodos com mais de um empreendimento ao mesmo tempo. Durante muitos anos trabalhei com terapias alternativas como Shiatsu, Reflexologia e Bioenergética, paralelamente dando  aulas de Judo e administrando uma loja na Assis Brasil onde criei um sistema de trocas de mercadorias onde a ideia era “troque o que você tem e não precisa, pelo que você não tem, mas precisa”. O nome da Loja era ESCAMBIO, inspirada no primeiro tipo de comércio que a humanidade conheceu, o Escambo (trocas). Ainda fui proprietário de uma Serralheria e outras atividades menos significativas.

Comecei a lembrar destes fatos em função de uma noticia que li onde relatava um estudo feito com uma série de artistas e esportistas em uma faixa de idade entre 06 e 38 anos, concluindo que crianças que tiveram autonomia para escolher o que estudar ou praticar (na pesquisa falava em tocar algum instrumento musical, mas é válido para esporte ou profissão) que não fosse uma “obrigação” ou tivesse como motivação satisfazer os desejos de algum dos Pais, tiveram melhor progresso e melhor desenvolvimento cognitivo.

Esta leitura me fez recordar a Mãe maravilhosa que eu e meu irmão tivemos na nossa infância e adolescência, por ter sempre, na medida do possível, nos deixado à vontade e com uma certa autonomia  (aturando inclusive os ensaio, em nossa casa no IAPI da “Banda no estilo Beatles” que criamos por volta dos 15 anos chamada “Os Tímidos”). Dona Hirma ainda foi condescendente com os meus precoces “delírios” de Filosofia Oriental,  Yoga, Terapias alternativas e Artes Marciais (desde os 13 anos já praticava Judo). O quadro não estaria completo sem a participação de meu irmão com suas experiências de Professor Pardal elê estudava na Escola Técnica Parobé e sempre vinha para casa com novidades que tentávamos por em prática, lembro de um a Galena que foi construída em um quartinho que tínhamos no pátio da casa (um depósito na verdade), nele realizávamos algumas experiências “cientificas”. Uma vez quase botamos fogo no Contador(Relógio) de Luz fazendo uma experiência de criar um Arco Voltaico com grafite, um mini aparelho de solda, potencialmente perigoso.

Voltando ao estudo mencionado mais acima, este se baseou no que especialistas chamam de autonomia – fazer algo por seus próprios valores e crenças e não pelos dos outros.  Revendo minha experiência de vida, não tenho como não concordar que Pais controladores fazem com que seus filhos não tenham autonomia, forçando a fazer atividades das quais não gostam e não curtem.

Felizmente minha mãe não era do tipo controladora e meu pai não era do tipo que impõe o desejo de que seus filhos sejam uma continuação de si mesmo, nem tentava fazer com que os filhos realizem aquilo que não conseguiram realizar. Meu Pai, no pouco tempo que estava em casa, não chegava a interferir relevantemente em nosso dia a dia.

Os Pais e Mães que tentam direcionar os filhos em função de seus gostos e desgostos, o fazem muitas vezes por uma equivocada ideia de amor. Isto, infelizmente, não é amor, pois o amor liberta.

A atitude controladora de alguns Pais, hoje alavancada por uma ansiedade e um desejo doentio de que o filho seja um sucesso (seja lá o que isto represente) tem levado seus filhos cada vez mais aos analistas ou aos braços de algum Guru salvador. Confundem felicidade com sucesso, pensando que o sucesso financeiro ou outro qualquer os levará à felicidade. Talvez muito tarde vão descobrir que a felicidade não vem de coisas externas, dos bens materiais ou dos títulos conquistados. Ela vem de tesouros que estão o tempo todo no interior de cada um, esperando para ser trabalhado e trazido à luz da consciência, desabrochando valores e sentimentos positivos como honradez, compaixão e um sincero sentimento de ser útil ao próximo e ao “meio”, que é o verdadeiro sentido de nossa existência.  

Até breve

 

 

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UM TEXTO TAOISTA

Pequeno prólogo: A palavra TAO neste texto pode muito bem ser substituída por “Forcas do Universo” ou qualquer outra que o leitor achar mais conveniente.

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Texto de autor desconhecido

Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (Ki, energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi (Ki, energia).

Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.

Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.

Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída.

Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.

Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.

Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.

Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.

O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.

Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.

Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.

Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.

Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO


Caso tenha gostado deste assunto, você também pode gostar de ler nosso texto ( Silêncio como opção) publicado neste blog em abril de 2016.

AIKIDO É BOM PARA A MEMÓRIA

Meus queridos amigos

Ao ler esta matéria do link abaixo, sobre o que é bom para o cérebro, no item que fala sobre fazer aula de artes, desenho, e atividades que envolvam aprender coisas novas, se vocês substituírem por fazer Aikido, verão claramente que um treino de Aikido se enquadra em todos os quesitos ali expostos. Talvez venham a entender melhor, por que eu constantemente mudo algum detalhe em algumas técnicas, nas aulas avançadas, criando com isto, algum desconforto nos alunos, forçando estes a saírem da zona de conforto. Já ocorreu de algumas vezes, um ou outro aluno vir me perguntar, “X, mas não existe uma forma mais simples de fazer esta técnica? Ao que eu respondo, “mas podendo complicar por que facilitar?”

Aproveitem, boa leitura.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150716_saude_teste_memoria_hb

 

 

 

 

 

AOS QUERIDOS PAIS

Meus amigos,

Hoje resolvi “atualizar “um texto que já tem mais de uma década e que é dirigido especialmente aos pais dos nossos queridos alunos da turma infantil, mas na sua essência, serve, também, para todos os interessados em conhecer o Aikido.

A criança aprende naturalmente ao brincar, jogar, caminhar ou nadar, pois todas as atividades psicomotoras são importantes para seu crescimento, seu desenvolvimento e sua formação.  Ao observarmos o desenvolvimento do “aprendizado do aprender”, na criança, percebemos que ela, desde os seus primeiros minutos de vida esta aprendendo à aprender e faz isto, através de uma intensa atividade psicomotora. Aprende através das respostas que o mundo da para ela, quando estimulado pelas suas ações. Vai assim, já no inicio, aprendendo o valor de um sorriso ou de um choro.

No passado podíamos brincar na rua, jogar bola no campinho do bairro,andar de bicicleta, subir em árvores, tomar banho em uma sanga ou um banhado perto de casa ou mesmo ir a uma pracinha pública próxima de casa, com tranquilidade. Na minha infância pelo menos, no IAPI, estas atividades eram constantes, mesmo morando em uma cidade grande. Atualmente, no entanto, o acesso a estas fontes de conhecimento, é restrito. Famílias urbanas, por exemplo, são forçadas a ter uma área de recreação interna para as crianças, por razões de segurança. Estilos de vida e atividades recreacionais para crianças tiveram mudanças significativas. Vieram os condomínios fechados, os clubes etc. As brincadeiras externas foram, em muitos casos, substituídas por videogames e computadores e mais recentemente, Smartphones e Tablets.

Nas últimas décadas as conveniências em facilidades de locomoção e uma infinidade de opções de lazer, modernas, têm reduzido nossas oportunidades naturais de atividades fisicas e como consequencia das oportunidades de aprender com o corpo, lamentavelmente, cada vez mais, o aprendizado é apenas mental. Mesmo os filhos de famílias do meio rural, por exemplo, costumavam levantar-se antes da escola para fazer suas tarefas caseiras, que agora são cumpridas por máquinas. Há não muito tempo, as crianças andavam até a escola com seus vizinhos ou sozinhas, as minhas particularmente iam sempre sozinhas, só as levava nos primeiros dias. As crianças de hoje, devido ao aumento da criminalidade ou à distância, são levadas para a escola por ônibus escolares ou pelos pais.

O Aikido, ou mesmo qualquer exercício regular, pode ajudar o praticante a alcançar um nível natural de bem-estar físico maior do que os nossos estilos de vida atuais, promovem. Mas o Aikido(Ai=amor, Harmonia / Ki=Energia / Do=Caminho filosófico), certamente, oferece um conjunto de poderosas ferramentas a serviço do desenvolvimento psicomotor da criança, sendo assim uma complementação, em um viés de uma formação mais plena para a criança. O nosso Aikido é baseado em 7 princípios filosóficos estratégicos e 3 práticas filosóficas. Tais princípios e práticas filosóficas são exercitados através da prática corporal de 3 conjuntos de técnicas básicas.

Os 7 princípios filosóficos de estratégia são:

  1. A) Antecipação: saber quem é o adversário(conhece-lo) e como é o terreno onde vai ser desenvolvido o conflito – A melhor maneira de resolver um conflito é encontrar uma solução antes que ele se manifeste.
  2. B) Não ser atingido: (autopreservação) – Praticando o aprendizado de encarar o contraditório como um aprendizado, olhar o não como uma oportunidade – Quando não existe agredido, não existe agressã
  3. C)  Não bloquear, não ir contra a energia do atacante – Se não houver reagente, não haverá fogo.
  4. D) Colocar-se em vantagem: buscar uma “posição vantajosa” ponto na retaguarda do atacante ou no mínimo, em um ponto neutro, de forma a ser a sua sombra.. É impossível, para o atacante, atingir a sua sombra.
  5. E) O dominio do centro: manter o seu centramento, tanto físico como psicológico, assim como no xadrez ou na Dama, quem domina o centro tem melhores chances, na dinâmica do Aikido, sempre que possível, procurar ser o centro do movimento. O centro com equilíbrio, é o poder.
  6. F) A energia da espiral descendente: A agressividade é uma energia ascendente e tende a aumentar quando encontra oposição. Para neutraliza-la usamos movimentos circulares descendentes e se formos imobilizar, um agressor, o colocamos em decúbito ventral, sempre que possível. O contato do ventre com a terra nos acalma e tranquiliza.
  7. G) Respeito ao adversário: O seu adversário, seja em que área for, deve sempre ser respeitado. Nunca deve deixar o adversário, mesmo na finalização do movimento, em situação humilhante e de extrema dor, seja física ou psicológica – Mesmo um gatinho indefeso, quando encurralado, pode transformar-se em um leão.

 

As três práticas filosóficas são:

1- Disciplina; ter propósitos e princípios e se dedicar a mante-los vivos.

2- Hierarquia: respeito aos mais velhos ou aos mais antigos;

3- Giri (gratidão).  Estar sempre grato aos pais, que lhe deram a vida e a todos os mestres e professores, que lhe trazem conhecimento.

O Aikido moderno procura, na medida do possível, manter os valores morais

e as estruturas organizacionais e hierárquicas do Japão antigo, buscando valorizar o que de melhor este período tem a oferecer, adequando tais práticas às nossas realidades.

Os 3 conjuntos de técnicas básicas são:

▪▪ Ukemi, a arte de cair e levantar;

▪▪ Tai Sabaki, a arte de caminhar e dos movimentos circulares de esquiva;

▪▪ Waza(s), técnicas de projeção, torção de articulações e imobilizações.

 

 

CONCLUSÃO

 

Com o aprendizado de cair e levantar-se em segurança, o praticante aprende que A QUEDA É UMA OPORTUNIDADE E NÃO UMA DERROTA. É uma oportunidade de começar algo novo, seja através de um novo movimento, quando no Aikido, ou algo novo na vida. Quando o praticante conseguir levar estes conhecimentos como uma metáfora para o seu cotidiano. entendera a beleza e o poder da mensagem do criador do Aikido, O Sensei Morihei Ueshiba.

Por meio dos movimentos circulares do Aikido, a criança desenvolve equilíbrio, centramento e noção de espaço. Através dos exercícios de esquiva em geral, desenvolve o instinto de autopreservação. Atualmente percebemos que este instinto se encontra um pouco adormecido, pois as crianças são altamente tuteladas e despreparadas para receber os diversos “NÃO”, que a vida, com certeza, ira lhes ofertar. Consequentemente, ao atingir a idade adulta, com frequência, esses indivíduos vão se encontrar despreparados, para um mundo, como o atual, nada amigável e super competitivo.

Com a prática da não-resistência, as crianças aprendem a buscar uma solução criativa, eliminando o conflito e passando a coordenar e controlar melhor os seus movimentos. Dessa forma, elas descobrem e ampliam suas capacidades e seus limites, tanto no aspecto físico quanto psicológico. Além disso, os praticantes também aprendem a respeitar o limite do outro, o seu colega de treino, neste caso. A prática ainda transmite à criança uma noção mais definida de espaço e de inserção, tanto no mundo físico como no mundo social.

O Aikido tem um programa próprio, que é adaptado à idade dos praticantes. A base dos treinos é comum a todos os grupos etários. Assim, os movimentos com risco de luxação ou que constituem esforço demasiado para as articulações, ainda em desenvolvimento nas crianças, são retirados do programa, mas, em compensação, na turma infantil são acrescentados exercícios, jogos e brincadeiras, específicos para crianças. Estes jogos de treinamento não somente constroem músculos, mas também desenvolvem flexibilidade e agilidade. Eles são também uma ótima brincadeira, quebrando a rotina das atividades regulares da aula.

O mais importante a se considerar nas brincadeiras das crianças é a segurança. Nenhum destes exercícios é difícil ou excessivo. Individualmente, cada criança pode decidir parar a qualquer momento. Os jogos e exercícios em si são selecionados com base principalmente na segurança dos praticantes, mas as crianças podem facilmente excedê-los, por não conhecerem seus próprios limites. Isto pode colocar ele e seu companheiro de treino (Uke) em risco. Dai a importância de que este treinamento seja sempre feito sob a supervisão de um instrutor. A função dele é observar se há hiperatividade ou comportamento hiperexcitado. Às vezes, retirar uma criança que esteja demasiadamente excitada e fazê-la apenas observar a aula por alguns minutos pode resolver o problema. Como muito do aprendizado de uma arte como o Aikido se realiza através de fazer ou não fazer algo, pedimos que os pais entrem em contato com os responsáveis quando não compreenderem alguma atitude de um instrutor ou do Sensei.

Muitos dos treinamentos individuais, como o canguru, o sapinho, o caranguejo, o coelho, a cobra etc., podem ser feitos como competições. Nas brincadeiras e nos jogos com competições procuramos acentuar a idéia e o sentimento de grupo em detrimento da individualidade, uma vez que o mundo adulto, como está conformado, já apresenta para a criança uma forte carga de supervalorização da individualidade. Desejamos com esta prática criar um MEME (ver Richard Dawkins) positivo de valorização do espírito de equipe, do trabalho em grupo e, consequentemente, o respeito aos outros seres.

Em alguns momentos o tratamento durante o treinamento pode parecer duro para com o seu filho, mas esteja certo de que isto obedece a um propósito, queremos prepará-lo, como praticante de Aikido, para a vida. As exigências do mundo real são muitas, quanto mais as crianças tiverem despertadas em si o foco, a atenção, resiliência (como capacidade de superação das dificuldades), a empatia (sentir as necessidades do próximo ou do grupo), respeito à hierarquia e espírito de cooperatividade, desenvolvendo a noção de que sozinhos não chegamos a nada, nem à nossa própria felicidade, mais preparadas elas estarão para viver um viver pleno.

No entanto, em momento algum esquecemos que não é possível exigir de uma criança que ela se concentre por uma hora apenas na prática do Aikido. Portanto, apesar da importância de incluirmos alguns dos ensinamentos e algumas das práticas de nosso “caminho”(DO), nestas aulas, é preciso “quebrar o ritmo” com jogos e brincadeiras. Assim sendo,, com as turmas das crianças seguimos uma dinâmica própria que pode ser traduzida pela seguinte frase: um movimento de Aikido, uma brincadeira; um movimento de Aikido, outra brincadeira. O elemento lúdico é importante, é brincando que se apreende.  

Vargas Fº

26/06/2016

Poder vertical e Poder horizontal

“Se queres conhecer o caráter de uma pessoa dê a ele, alguma forma de  poder.”

O convívio com as pessoas e o contato com a história da humanidade, nos mostra que o poder é um potente catalizador, ele traz à superfície, tudo que uma pessoa possa, talvez, ter de ruim, começando por coisas simples como a prepotência e a vaidade e culminando em alguns casos com atitudes e desejos mais lesivos aos seus semelhantes ou subordinados, ele acorda alguns “monstros” e “Ogros”, muitas vezes adormecidos em algum porão obscuro deste nosso castelo, que chamamos de nosso ser(Self, my self). Vou tomar a liberdade de chamar este poder de “Poder Vertical*”

Mas, muitas vezes, não precisa que nos deem poder, nós somos muito criativos e estamos constantemente criando formas de construirmos uma ideia ou sentimento de poder, sobre outros.

Esta divagação me fez lembrar e pensar sobre as pessoas que colocam junto com o nome o seu título, como quando alguém pergunta o seu nome em uma situação social, ou quando tem que assinar algum texto, carta ou modernamente, algo na internet. Isto sempre me pareceu uma certa soberba e fora outras analises psicológicas ou que seja de, no minimo, mau gosto.

Já vi diversas vezes o seguinte dialogo: “Qual o seu nome? Resposta:  Dr José …. ou, quando é solicitado à colocar o seu nome em um formulário e o de cujos escreve, Dr. Fulano de Tal

É evidente que há alguns casos, bem específico, dentro de um ambiente ou contexto profissional, em que isto, as vezes é necessário.

De qualquer forma, me identifico muito com o hábito e a ética japonesa onde é considerado feio e deselegante o ato de a própria pessoa escrever, ele próprio, algum título, tipo Dr. Juiz, Sensei ou Shihan, por exemplo, junto ao próprio nome.

Confesso que me causa profunda estranheza, no caso do ambiente do Aikido, ver acontecer alguns casos deste tipo de atitude, que espero seja feita de forma ingênua e impensada, pois nós, como formadores de opinião devemos ter muito cuidado com a nossa conduta, o Aikido não é apenas para o Tatame o Aikido deve permear toda a vida do praticante, posto que ele não é apenas uma arte marcial, ele é uma filosofia, uma filosofia humanista, de busca pela harmonia baseada na irmandade de todos os seres.

O verdadeiro Poder é a capacidade de não exercemo-lo, o Poder exercido com amor e uma profunda noção de horizontalidade e da irmandade que une a todos nós, este é o “Poder Horizontal*”

E.T..: Para aqueles que não não tenha ficado claro o porque de horizontal e de vertical, em outra oportunidade voltaremos ao assunto

CRESCIMENTO

Neste momento que precede os exames de graduação, quero mais uma vez, como sempre tenho feito,reforçar alguns princípios.

O objetivo dos exames não deve ser apenas, o de aferir o conhecimento ou a proficiência de cada um. A participação em um exame deve ser encarada, tambem, como um Keiko, um treinamento, pois um exame, não é um fim em si, ele faz parte de um processo de vir a ser, um processo que envolve um esforço de superação onde buscamos, em nosso íntimo, forças para superarmos a inércia em que naturalmente nos colocamos com o passar do tempo, digo naturalmente, porque está e uma tendência de todo o ser ser vivo, se não tivermos um estímulo qualquer, seja ele de origem mental ou fisiológica, tenderemos sempre para a inércia, para a acomodação, para a zona de conforto. Por esta razão, não devemos fugir de exames, de provas ou de dificuldades. Somente as dificuldades, os desafios, e as situações que se contrapõe a nossa tendência à uma “pseudo “Paz””, podem nos levar a um crescimento. Para reforçar está idéia podemos buscar um exemplo na fisiologia do desenvolvimento físico, dos ossos e dos músculos, pois estes só se desenvolvem quando encontram algum tipo de obstáculo ou resistência, haja visto o que ocorre com estes na ausência prolongada da força da gravidade, como já foi constatado das viagens espaciais, o que resulta em um processo de degeneração que acontece com os músculos e ossos dos astronautas, quando estes ficam algum tempo em um ambiente de gravidade zero, onde o corpo não encontra resistência, não precisando “lutar”, não precisa “fazer força”, nem contra a força da gravidade, causando com isto uma grande atrofia muscular e perda de substancia óssea.

Recentemente o meu amigo Bismarck, me lembrou um viés que gostávamos de passar aos alunos, lá bem no início do Aikido no Rio grande do Sul, através de uma frase que eu proferia quando os alunos reclamavam quando lhes propunha um exercício, um movimento mais difícil, ou lhes oferecia alguma outra dificuldade; a frase era: Se podemos complicar, por que facilitar? Isto me faz lembrar uma história de Nasrudin o lendario personagem dos contos Sufi.

“Estava Nasrudin, à noite embaixo da luz de um poste procurando alguma coisa, quando um passante que já estava a algum tempo observando, perguntou.

Ho Nasrudin, o que você esta procurando?

Nasrudin respondeu. -Procuro uma moeda que perdi.

Ao que o Transeunte remendou. Mas você tem certeza que perdeu aqui? Pois já faz horas que estas procurando.

Então Nasrudin respondeu. Não, não foi aqui, eu perdi lá, perto daquelas arvores.

Mas então porque não procuras lá.

Ao que Nasrudin respondeu É que lá, esta muito escuro, aqui tem Luz.”

 

O SILÊNCIO COMO OPÇÃO

 

Permita por favor

 

Hoje, em 2016, estou revisitando um texto de 2008, quando reviso e atualizo algo que escrevi, a algum tempo, noto que isto me traz um sentimento de renovação.

Não sei se estou escrevendo sobre o silêncio no sentido explicito ou de um modo figurado, mas acredito que de alguma forma o que serve para um serve para todos, o que esta no micro também se refere ao Macro. Mas de qualquer forma o que me leva a escrever não é o mais importante, na verdade o que importa é de que forma ele se encaixa na história de vida, nos valores e nos princípios de quem ler. Penso que este tema é muito atual, num momento tão complicado como o atual.

Escrever sobre o Silêncio me faz lembrar de uma frase de Confúcio: “O silêncio é um amigo que jamais atraiçoa.”

O Silêncio aqui pode se referir à ação, ou melhor dizendo, à ausência desta. Somos “inducados” ou “formatados”, que é uma expressão do momento, a sempre responder, quando inquiridos, solicitados ou “provocados”, isto se apoia também em um instinto básico reflexivo onde a toda ação corresponde uma reação. Se o animal tem sede, ele bebe; se tem fome, come, se esta sob grave ameaça, enfrenta ou foge, estes são os mecanismos mais básicos e primitivos. Quanto mais primitivo for o ser vivo, mais ele será refém dos instintos básicos. Por outro lado o “Ser humano”, teoricamente, é a espécie que esta mais distante desta mecânica, em função de um processo acelerado de desenvolvimento cultural e social, principalmente nos últimos 500 anos. Distantes, mas não libertos totalmente desta influência, pois a nossa bagagem genética ainda carrega os mecanismos primitivos que eram importantes, naquele contexto, importantes para a nossa sobrevivência como espécie. Mas o mundo mudou, o contexto hoje é outro, e esta mudança aconteceu em uma velocidade muitas vezes superior às transformações genéticas. Hoje, não temos mais os grandes predadores, eles eram tremendamente violentos e selvagens, mas eram previsíveis, a sua violência era da sua própria natureza, ao encontrar um o homem sabia o que esperar, e portanto aprendia como agir, mas o predador de hoje é o próprio homem, um homem doente, doente psicologicamente e socialmente, o qual, quando encontramos pela frente, geralmente não se pode fazer nenhum prognóstico. Ele é uma bomba armada para explodir a qualquer momento, sem lógica e sem sentido, pois a sua violência, não é fruto apenas da sua natureza, é fruto do seu medo da sua insegurança e da sua confusão mental.

Acredito que todos nós temos as condições biológicas de assumirmos, por escolha, a condição de um ser superior e responsável, o mote para isto, seria; nós em primeiro lugar e num segundo momento levados por um sentimento novo, trazido pela civilização, a empatia. Tudo depende de escolhas, e devemos necessariamente, praticar a escolha do coração, para isto devemos parar de agir baseados na opinião da maioria, como falou Mark Twain, “sempre que estivermos por muito tempo ao lado da maioria devemos ficar preocupados e dar uma parada para avaliar melhor”. Atualmente somos escravos do Marketing e da Mídia, somos todos “vaquinhas de presépio”, ou se quisermos uma imagem mais realista, somos como moscas comendo o lixo, isto por que nos deixamos levar pelos valores e necessidades que a mídia do consumismo nos aponta como a melhor ou a que vai nos fazer mais felizes. Isto acontece tanto a nível de consumo material, quanto a valores morais, filosóficos ou Políticos.

Esta “EDUCAÇÃO”(EduCere) de dentro para fora, pode começar pelo exercício do silêncio, o silêncio aqui, não se refere apenas à ausência de som, mas a um silêncio mais abrangente, a um Silêncio da mente consciente, o silêncio da ação, a uma inação.

Ter a opção da não resposta automática, é uma característica do ser superior, o automatismo instintivo pertence aos seres primitivos. Se alguém nos empurra, por que devemos empurrar de volta? Se tivermos uma sensação de vazio, por que devemos buscar preenche-la, imediatamente?

Se alguém nos questiona em algo, porque devemos responder com presteza?  

Onde está registrada esta lei, de que temos que responder a todas as perguntas a todos os estímulos ou a toda e qualquer agressão. Temos que REaprender que tudo depende de nós, de nossa escolha, não existe apenas a reação ou a resposta, também é nossa, a opção pela não ação, pelo silêncio. Não somos obrigados a nada, nem a responder perguntas e nem a atender ao Messenger, WatsApp, Face ou Celular.

Em períodos como o que estamos passando agora, isto fica bem claro , onde amizades estão sendo rapidamente destruídas, apenas por diferenças de opiniões e por uma pressa quase doentia em responder e declarar explosivamente, as nossas ideias e sentimentos.

Não caia na armadilha da resposta imediata, você tem direito ao Silêncio, à não ação como opção. Experimente o poder do silêncio.

A opção de não ligar a televisão, ou de ligar não por que todos estão ligando para ver um Big brother, ou  uma novela do momento, mas ligar porque quer informação e cultura, ou ir assistir um filme “oscarizado, apenas porque a maioria, levada pela mídia paga, está indo assistir, deixe de ser um boi na tropa apenas. Devemo usar a tecnologia a nosso favor, como bem disse A. Einstein: “Por que os avanços científicos e tecnológicos dão tanto conforto, tornando nossas vidas mais fáceis, mas não nos tornam mais felizes? A resposta é simples: é porque ainda não aprendemos a usá-los com inteligência.”

Estas questões não servem apenas para a nossa relação com o nosso mundo exterior, mas valem também para avaliar as nossas reações às nossas compulsões e prazeres, não quero com isto dizer que não devemos dar vazão a estes sentimentos, mas devemos adotar uma condição superior, devemos ao menos saber de onde eles vieram e a que propósito servem, já que apenas se deixar levar pelos anseios e sentidos, não é uma condição de um verdadeiro ser humano, de um ser superior, isto qualquer animal faz. Como já disse alguém: “O homem é o único Ser que come sem ter fome, bebe sem ter sede e mais ainda, fala sem ter nada para dizer”.

Pense, pense até que ponto você está agindo por inércia social, se deixando levar pelo movimento de grandes grupos, afinal você não é um apenas mais um boi na manada ou uma formiga no formigueiro, vamos aproveitar que o Carnaval já passou e tirar da cabeça esta necessidade de fazer parte de um Bloco. Aliás, fica muito claro enxergar, como surgiram os grandes erros da humanidade, quando milhares e milhares de pessoas foram cegadas, por um proselitismo de falsos valores. A história da humanidade, está cheia de exemplos deste tipo de fenômeno, sempre que alguém aproveitou uma situação de crise ou um sentimento de baixa estima de um grupo, povo ou nação, somados a um líder carismático e a uma boa propaganda, foram criadas as condições ideais para a catástrofe e grandes desastres para o homem. Até quando vamos repeti-los. Temos que acordar, acordar para o fato de que temos uma necessidade atávica, de pertencer a um grupo, necessidade esta, que veio de um longo período, de milhares de anos, em uma época em que o homem para sobreviver precisava viver em grandes grupo, isto lhe trazia segurança.

Realmente, hoje somos escravos de uma herança biológica, melhor dizendo, somos frutos de um descompasso entre uma lenta evolução biológica e uma super rápida evolução sócio-tecnológica. Para que isto não acabe em um grande desastre, precisamos de pessoas “despertas” pessoas que farão a diferença, serão aqueles que como disse um mestre yogui, conseguem enxergar o que tem atras do muro. Isto me traz a lembrança do que contou em um livro, um monge que não lembro o nome. contava ele que ao término da guerra do Vietname, os habitantes de Saigon, tinham muito medo dos Vietnamitas do Norte, e começaram a fugir para alto mar em pequenas embarcações, centenas e centenas destes barcos pereceram, segundo ele, os poucos barcos que sobreviveram, foram aqueles onde havia, pelo menos uma pessoa, com equilíbrio e serenidade, não se deixando levar pelo desespero da maioria.

Acredito que estaremos prestando um grande serviço, se conseguirmos construir algumas pessoas com este perfil.

Grato e até mais.

Quais são as duas expressões mais usadas no ambiente do Aikido? 

Permita por favor

 

Sem dúvida, para qualquer praticante deste caminho, destaca-se sobremaneira o volumoso e constante uso das expressões, POR FAVOR (Onegashimassu em nihongo, idioma japonês) e MUITO OBRIGADO (Domo arigato em nihongo). Estas duas poderosas expressões, trazidas para o nosso convívio pela tradição oriental, na realidade servem como um resgate de alguns valores que já foram tidos como importantes em nossa antiga cultura ocidental. Estes valores e os princípios que eles representam, estão tão desprestigiados no “jovem” mundo cosmopolitano atual, que existe um certo ranço social em relação a eles, a ponto de as pessoas de fora do ambiente do Aikido, sentirem uma certa estranheza ao presenciar a nossa prática de externar a todo o instante os nossos sentimentos, quer seja o de gratidão ou para pedir permissão ou licença para qualquer interação com as outras pessoas. É claro que este sentimento de estranheza, acontece principalmente entre as “tribos” mais jovens, em média os que tem menos de 35 anos.

O poder e a magia destas palavras, assim como tudo que elas representam, só poderão se materializar se elas estiverem embasadas, alicerçadas e sustentadas por um sentimento autêntico, elas devem vir da essência do ser, seja lá o lugar onde esta se localizar, conforme as crenças de cada cultura, seja no coração, como na cultura ocidental ou no hara (região do baixo ventre), conforme a cultura oriental, o importante é que sua origem passe longe de um trajeto cerebral. 

O Onegashimassu tem uma gama de significados bem abrangente: “Posso entrar? Posso isto? Posso aquilo? Permite que…? Você concorda que…? Com sua licença”…,, mas ao mesmo tempo não devemos ignorar o fato de que existem outras maneiras de comunicar nossas intenções, seja por outras categorias de expressões verbais (gírias, interjeições etc.) ou por gestos ou sinais faciais. Entretanto, o que deve ser mantido é a importância de que o receptor de nossa mensagem a perceba e entenda; isso é fundamental e deve ser preservado. 

Quando pedimos permissão a alguém, seja para o que for, nós estamos estabelecendo um contato mais íntimo e específico. De certa maneira, está sendo estabelecido um “contrato”, existe alguém querendo fazer algo e outrem permitindo ou não. Se não houver permissão, o “contrato” se extingue ali. Por outro lado, se houver concordância, tem início o envolvimento e o compromisso de ambos, ou seja, o que solicitou e o que permitiu. 

E devemos lembrar que isso também se aplica às relações com outros seres, não apenas os ditos humanos, e até os supostamente inanimados. Por exemplo, que diferença haverá no relacionamento com umparque” em um passeio domingueiro, entre uma pessoa que entra neste parque destituída de um sentimento de Onegasshimassu e outra, que, antes de entrar no parque, para e olha para o conjunto de elementos que compõem o lugar, as arvores, as flores, os pássaros e tudo o mais e pede permissão para desfrutá-lo, com profundo respeito e até, em um gesto um tanto estranho para alguns, escolhe uma árvore, até para simbolizar o seu gesto, e a abraça e agradece. Nos perguntamos: “Será que esta pessoa que pediu permissão terá coragem de jogar lixo no chão deste parque ou praticar qualquer ato danoso a ele?”. Acreditamos que não, não é mesmo? Pois no momento em que houve este pedido de licença estabeleceu-se uma relação um comprometimento. Esta mesma relação se estabelece entre os praticantes de Aikido, mas para isto, esta permissão não deve ser apenas uma verbalização comandada pelo cérebro, deve ser um sentimento que venha do coração, do Hara, de nossas “vísceras*”

É preciso resgatar em todas as pessoas, principalmente em nossos jovens, o valor deste sentimento, isto é, a todo instante de nossas vidas estarmos conectados,  constantemente estabelecendo relações e compromissos, pois como seres privilegiados que somos, por termos consciência, temos como consequência, o dever de sermos responsáveis pela harmonia do que nos cerca. 

  

Um japonês, quando exterioriza, através de palavras, um agradecimento, tem graduações muito sutis: “Arigato” é o mais simples, equivale a um simples obrigado, sem muita ênfase. Quando quer dar um pouco mais de expressão, diz: “Domo arigato”, que de certa maneira equivaleria ao nosso “muito obrigado”; já quando se trata de um agradecimento muito intenso ou formal, pronuncia: “Domo arigato gozaimashita”, que poderíamos definir por “muitíssimo obrigado”. 

A gratidão é o sentimento mais importante a cultivarmos e desenvolvermos em nós e em todas as pessoas sob a nossa influência. Grato por nascer, grato pelos professores, educadores e mestres, grato pelas condições de nosso corpo e nossa mente, sejam elas quais forem, pois por melhor ou pior que sejam, são nossas, e milhões de pessoas vão ter melhores ou piores, também. E cabe somente a cada um de nós o poder e a responsabilidade de mudá-las, tanto para melhor como para pior. 

Cada um de nós é como um imã, ou melhor, como um emissor de energia, e esta pode ser positiva, otimista, amigável e agradável ou pode ser negativa, pessimista, desacolhedora e desagradável. Seguidamente notamos pessoas que estão nos dois extremos, que são as ALPHAS e as THETAS. As ALPHAS, ao chegarem em algum lugar, antes mesmo de pronunciarem qualquer palavra ou ação, com a sua simples presença atraem a simpatia de crianças e animais domésticos. Do outro lado estão as THETAS, pelas quais aqueles seres mais sensíveis não se sentem atraídos, mas muitas vezes desconfortáveis com sua presença. Existem pessoas, inclusive, em cuja presença até plantas fenecem, murcham, pois elas não têm como se locomover. 

Existem pessoas que estão sempre vibrando na faixa que eu chamo de “azeda”; por uma mania ou cacoete, estão geralmente iniciando seus pensamentos sobre qualquer coisa, desde um filme, um livro ou uma pessoa, com a frases: “Não gostei disso ou daquilo”. Deveríamos fugir dos “gosto” e “não gosto”. Parece que nos sentimos mais importantes e mais adultos quando damos uma opinião do tipo gostei ou não gostei. Convido você a uma experiência: vamos passar uns dias trocando este papel de crítico autorizado, por um de descobridor de talentos; o que seria um descobridor de talentos? É aquele que está sempre procurando coisas boas, procurando o melhor, procurando, também, aquilo que tem potencial de ser melhor ou melhorado. 

Em qualquer coisa ou situação podemos, se procurarmos, encontrar coisas boas e positivas. Quem conhece um biodigestor sabe do que estou falando, pois neste dispositivo um monte de restos orgânicos e fezes resulta em gás para cozinha e, como subproduto, adubo para a lavoura. Então, em vez de olhar o ruim, de procurar do que não gostar, do que se lamentar, do que reclamar ou o que odiar; procure olhar o que há de bom, reforce o positivo, elogie as qualidades e as virtudes, pois elas podem, às vezes, ser pequenas, mas existem, começando por você, comece descobrindo e reforçando o que tem de bom em você. E mais, vou te contar uma coisa: te mentiram quando te disseram que é feio ou pecado se preocupar primeiro consigo mesmo, se amar antes de amar os outros. É tudo mentira, se você não começar a mudança por você, nada vai funcionar. 

Paremos de procurar e de lamentar o que não gostamos no mundo, em nós e nos outros, procuremos o que há de bom e nos regozijemos por isto, festejemos isto e o Universo nos dará mais disto, com certeza.

 

Não existe nada, qualquer coisa, seja mineral, vegetal ou animal, que não tenha algo de bom, algo que traga algum beneficio ao universo, Pois, se assim não fosse, não teria motivo para existir.

 

Grato