A GRANDE FAMÍLIA DE IQUIQUE

SEMINÁRIO EM IQUIQUE NO CHILE

Neste último semestre do ano tive a honra de ser convidado a ministrar um Seminário de Aikido na Cidade de Iquique, no Chile, nos dias 24,25 e 26 de novembro, ao qual compareci com satisfação, principalmente pela oportunidade de fazer novos amigos.

O Aikido no Chile, vinculado à União Sul Americana de Aikido ( Kawai Shihan),  é dirigido e administrado pelo amigo Orlando Galicia Sensei, Presidente da União Chilena de Arte Aikido Kawai e Dojo Sho da Academia Reshin Kawai Shihan de Iquique, Chile.

Dentre as tantas coisas boas que encontrei em Iquique, a que mais me tocou e marcou meu coração, foi a profunda ligação que Orlando Galicia formou com seus discípulos. Galicia Sensei tem, se não me falha a memória, oito filhos que praticam ou já praticaram o Aikido alem de mais de uma dezena de netos que sem dúvida ainda praticarão Aikido no Futuro, visto que alguns já frequentam as aulas de Aikido infantil. Isto demonstra o seu profundo sentimento de família, e de família unida, e isto perpassa aos seus diversos alunos chilenos(  filhos não sanguíneos ).  Naqueles três dias percebi o quão forte e valorizado são os sentimentos de família que todos os praticantes me passaram, de uma grande família Aikidoista. Considero este um dos grandes propósitos de uma organização da nossa arte, formar laços fortes de amizade, propiciando um convívio social pleno tanto dentro do Tatame, quanto fora.  Visto que os nossos objetivos de desenvolvimento como pessoas humanas, harmoniosas e com alta capacidade de levar Amor e crescimento aos que nos cercam, não se limita ao Tatame, estes obtidos devem ser estendidos para fora do Tatame para todas nossas relações sociais.

A mim, me pareceu, que Galicia Sensei, formou uma família  que esta se tornando “Uma Grande Família Aikidoista”. Na cultura Japonesa se usa a expressão “Ichi Ban” para coisas ou pessoas que são as melhores ou as primeiras em uma lista de classificação, por exemplo; no futebol Pelé é Ichi Ban para os Japoneses, então gostaria de dar à Galicia Sensei o titulo de “Ichi Ban em uma lista de Senseis voltados à familia”.

Grato à todos

DA IMPORTÂNCIA DAS PERGUNTAS

 

Neste fim de semana tive a honra e o prazer de participar de um evento em Curitiba, brilhantemente organizado por Lincoln Sensei e seu grupo, com a colaboração e participação de outros grupos e Dojos vinculados a organização criada pelo nosso saudoso Kawai Shihan, o introdutor do Aikido no Brasil.

Durante este grandioso evento tive a felicidade de exercer e praticar um hábito muito salutar e útil que tenho procurado adotar no meu dia a dia, visando um melhor desenvolvimento como ser humano e, acredito, extensivamente positivo a todos os envolvidos em minhas relações, que é o ato de fazer questionamentos (ou “na dúvida pergunte”). Explico: andava curioso com uma nova forma de fazer ukemis que algumas pessoas andam fazendo. Como neste evento estavam presentes algumas destas pessoas, vislumbrei a oportunidade de tentar entender melhor a questão, pois queria, primeiramente, entender a origem da mudança. Não vou entrar em detalhes técnicos sobre a mudança em si, porque não é este o propósito deste texto. A ideia é jogar luzes na importância de criarmos o hábito de fazermos perguntas.

Na medida em que me questionei sobre a validade da “inovação” na prática de algo já tradicional no Aikido, procurei fugir da facilidade de apenas fazer uma crítica vazia, principalmente por não ter elementos para melhor entender a questão. Diante disso chamei o grupo todo ao qual estava ministrando o Keiko (treino) e perguntei, de coração aberto, o porquê daquele formato. Já adianto: foi uma experiência muito gratificante conversar com todos ali presente e perceber, nos olhos daquelas pessoas, que todos nós compartilhamos da mesma energia e das mesmas preocupações, ou seja, buscar a prática de um Aikido cada vez mais inclusivo, respeitoso e harmonioso, principalmente entre seus instrutores e Sensei(s), um ambiente muito salutar.

 

Durante o questionamento, conseguimos conversar e apresentar ideias sem ranço e sem dogmas e sem que nenhum de nós, tenha se alçado a “dono da verdade”. Olhando no fundo do olho de cada um dentro do tatame não percebi contrariedades, mas disposição a um diálogo sincero. Apesar de sairmos ainda com nossas próprias convicções, novas perspectivas surgiram para meditar sobre o assunto abordado.

Acredito que o hábito de fazer perguntas e escutar as respostas com coração aberto  nos faz bem, assim como em um keiko o Uke executa um ataque sincero (questionamento) e um Nague o recebe (yudo) executando alguma técnica(resposta) e reage a este ataque com um Aikido repleto de seriedade, atenção e sinceridade.

 

Já disse alguém no passado que “o mais importante são as perguntas” pois as respostas surgem após algum questionamento. Podemos até dizer que a pergunta sincera é a mãe do conhecimento. Às vezes nos foge a chance de fazer a pergunta no momento certo, mas isso é um mentalismo nosso. Se hoje não foi possível efetivar o questionamento não importa, o mundo gira. A oportunidade para a pergunta poderá aparecer novamente. Por exemplo: – se ontem alguma pessoa teve um comportamento estranho ou estava fora de seu centro e não foi possível ter com ela um “diálogo” respeitoso, não importa. Quando surgir nova oportunidade, façamos então, as perguntas necessárias. Remoer dúvidas e suposições, só serve para criarmos energias negativas, a atitude positiva é trazer as dúvidas à luz, ao ar, ao convívio com seus semelhantes, com seus iguais.

Para concluir, a mensagem que fica é: Não devemos criar as minhocas da ignorância em nossas cabeças, devemos cultivar as perguntas certas para as horas próprias.

 

Grato e até breve

 

Vargas Filho
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