A Covid19 e o Sistema de Universal de Saúde

A atual crise sanitária em nosso país, causada pelo coronavírus “Sars cov2”, veio demonstrar o erro do congresso em tirar verbas bilionária do SUS em 2019, através da PEC95, a crise está demonstrando, também, que a saúde privada não é competente para tratar de situações de emergências sanitárias causadas por uma grande epidemia, nem de seus próprios segurados, e isto acontece não só por não ter uma estrutura voltada para isto, como também, por só visar o lucro, assim sendo não faz investimentos em bens, máquinas e insumos que só seriam usados em situações emergenciais. E isto não acontece apenas no Brasil, os Estados Unidos, um País muito mais rico que o nosso, está terrivelmente prejudicado neste momento, justamente por não ter um Sistema Universal de assistência médica. Incrivelmente o Brasil, apesar das dificuldades, está se saindo melhor na assistência do seu povo, mas também fica evidente que se não tivessem tirado os bilhões que foram confiscado do SUS, pela PEC 95, hoje estaríamos muito melhor. Então a conclusão que se chega é de que devemos, daqui para frente, trabalhar pela anulação da PEC95 e por muito mais verba para o SUS, tornando ele tão mais eficiente que se torne atrativo até, para aqueles que hoje optam, por planos Privados. Eu há 4 anos estou usando apenas o SUS e sem ter queixas.  O nosso sistema já é bem avaliado e com mais investimentos pode ser um dos melhores do mundo, se igualando ao do Reino Unido, NHS, que atualmente é considerado o melhor sistema Universal de saúde do mundo ou ao de Portugal, que também está entre os melhores. O nosso sistema melhorando uns 30%, acredito realmente, que as pessoas que hoje pagam planos privados, trocariam o privado pelo público, já que aqueles estão com preços proibitivos, até para a classe média alta. Este deverá ser o novo paradigma a ser seguido pelos governos mais sensatos no pos-pandemia, mais investimento do estado em Saude pública, ensino e pesquisa, com um forte viés em uma melhor distribuição de rendas para todos.

Dificuldades geram facilidades

A filosofia oriental nos ensina que a dificuldade gera facilidade, isto quer dizer que as dificuldades e os obstáculos é que nos fazem crescer, a o contrário disto, a facilidade e a ausência de dificuldades nos levam a acomodação e a uma perigosa zona de conforto. Em vista disso, tenho durante os últimos anos, de forma “anedótica”, nas mensagens de ano novo, desejado a todos nós um pouco de dificuldade, de “sofrimento”, como uma maneira de crescer, e sempre tenho dito para se prepararem, porque a vida neste planeta vai a cada ano ficar pior. Fui recuperar nas minhas mensagens, e vi que lhes escrevi isto em 2016. Ao mesmo tempo, lembrei que tenho, ao longo dos anos, mostrado que entre os benefícios do Aikido, está o desenvolvimento da capacidade de resiliência nos praticantes. A resiliência é a capacidade de, após passar o problema ou a “força” que nos tirou da normalidade, conseguirmos voltar incólumes à nossa mormalidade, por exemplo um bambu tem alta resiliência, após a tempestade ele volta à sua posição nornal. As dificuldades que estamos passando, vão propiciar oportunidades de crescimento, de aprendizado e de trabalharmos a nossa resiliência. Para finalizar quero lembrar, que o sofrimento ou o grau de sofrimento é criado por nós, é fruto da maneira como vivenciamos ou assimilamos as dificuldades e os obstáculos que a vida nos apresenta, portanto, esta ao nosso alcance diminuir ou aumentar o nosso “sofrimento”.

🙌🏼🙏🏼Eu e você juntos

Fique em Paz

O pós Pandemia

Vamos aproveitar o período da quarentena para pensar em um planejamento estratégico:
Faço um convite para usarmos a nossa energia, para planejar a nossa vida após a quarentena, nós temos agora muito tempo para isso. Podemos planejar a nossa vida familiar, podemos planejar a nossa vida dentro da nossa profissão, da empresa em que trabalhamos ou de nosso próprio negócio, se for o caso, e da mesma forma se formos um profissional liberal. Planejar e ver a melhor estratégia para o futuro, fazer uma análise do que está por vir. E levar em conta neste planejamento, o fato de que o mundo não será o mesmo após essa pandemia. Vários cientistas e pensadores estão apontando para um mundo diferente, haverá um mudo antes da pandemia e um mundo após este desastre mundial, então devemos levar em conta, também, toda essa drástica mudança. Havera uma radical transformação social, transformação nos valores e nas prioridades das pessoas e dos governos, estes vão ter que repensar como será o mundo daqui pra frente, uma coisa que já se percebe é que o mundo todo vai ter que repensar o sistema de saúde, baseado nos países que tem tido o melhor desempenho, o futuro vai mostrar que serão os países que tem um sistema de saúde único e universal, administrado pelo estado, todo sistema privado, tanto aqui como nos Estados Unidos, estão sucumbindo e vão sucumbir mediante essa crise sanitária e econômica. Este lockdown mundial está mostrando como o mundo pode ser melhor sem a poluição diária que nós causamos no planeta. Esta mostrando a imbecilidade que é a concentração monetaria exacerbada na mão de uns poucos sem empatia e um mínimo de humanidade, só pensando no lucro.

Vamos pensar sobre estes fatos, analisar bem e planejar nossa vida e o nosso futuro daqui pra frente esse é o pensamento de hoje. Fiquem na paz de seus lares, se alimentem bem, mas pouco, lembrem que o importante é a qualidade e não a quantidade, além da comida, procurem se alimentar de bons pensamentos, bons exrcicios respiratórios e boas noites de sono, assim teremos um bom sistema imunológico, fique em paz.

O EFEITO MANADA

O EFEITO MANADA E OS PERIGOS SOCIAIS EM UMA GRANDE CRISE

Por que no mundo todo, está ocorrendo uma corrida pelo Papel Higiênico?  Ao que tudo indica começou na Coreia, logo no início da chegada do novo Coronavírus por lá, surgiu uma Fakenews de que iria faltar papel por que as máscaras eram feitas da mesma matéria-prima. Logo após, as as grande mídias e as mídias sociais de todo o mundo iniciaram a replicar as imagem por todos os países, a partir disso o fenômeno começou a se repetir em todos os países, sem que estas pessoas soubessem porque estavam fazendo isso.  Mas a pergunta certa é, o que explica esse comportamento?        

A resposta me parece simples, isto se chama “efeito manada”, e é causado  por instintos básicos e primitivos, presentes em todos nós, o que demonstra os perigos de de nós deixarmos levar cegamente e sem consciência pelos nossos instintos e fica claro como o ser humano, apesar todo o  progresso científico/tecnológico, no nível mental ainda tem um cérebro primitivo, ainda temos um cérebro pré-histórico, quase reptiliano e por isso diante de determinadas “crises”, um grande número de pessoas matam e saciam suas necessidades mais básicas com violência, não respeitando nada, emulando qualquer regra, lei ou convenção social. E esta análise nos leva a um alerta, diante da aproximação de uma, muito provável, crise sem precedentes em nosso meio. Espero que nossos praticantes de Aikido façam a diferença. Isto me faz lembrar de um fato narrado por um monge budista sobre a fuga do Povo de Saigon após os Americanos terem abandonado a cidade, muitos fugiram para o alto mar em embarcações fugindo da invasão pelo Vietnam do norte, nesta fuga para o mar em barcos precários, grande parte dos barcos sucumbiram por falta de liderança, mediante os problemas à bordo causados pela falta de alimentos, água e doenças, os barcos que tiveram sucesso, chegando em segurança a lugares seguros, foram aqueles em que tinha pelo menos uma pessoa que manteve o centramento, manteve o equilíbrio, não se deixou contaminar pelo desespero do grupo. Conclamo a todos que exerçam este papel, este e o momento de usarmos os princípios e os ensinamentos do Aikido. Se vier uma situação de caos, somente o equilíbrio e o centramento, vão ajudar, combata o pânico ou ansiedade com o domínio da respiração e não se deixe levar por pensamentos intrusivos, temos que ter foco, atitude e na medida do possível se antecipar aos problemas, procurar sempre estar à frente dos problemas, se antecipe.

Por hoje era isso, gambate kudassai (lute com firmeza e determinação)

R. Vargas

IDIOSSINCRASIA GRUPAL E O AIKIDO

A idiossincrasia de um grupo se constrói através do tempo?

Alguns elementos que compõem esta construção, se alicerçam nos valores, objetivos e crenças, que formam com o passar do tempo, um consciente coletivo, reforçados pela valorização histórica de seu passado, deixando através de um trabalho interno de seus membros, a memória de seus antepassados e suas realizações, a valorização até um certo ponto mítica, de seus alicerces são partes da história e da identidade dos grupos e estes devem estar sempre presentes na mente dos membros do grupo.

No caso do grande grupo dos praticantes de Aikido, no plano mundial, a permanente divulgação sobre os primórdios do Aikido tem se dado através de livros, vídeos e pela dedicação daqueles Senseis e Shihans no mundo todo que permanentemente vem divulgando este legado, tanto aos seus discípulos como ao público em geral, seja através de verbalizações “in person” ou através da internet.  Em grupos “menores”, como organizações e Dojos filiados ou vinculados ao Hombu Dojo(Japão), a divulgação e valorização desses elementos devem ser trabalhados e exercidos, necessariamente por todos, incluindo os instrutores e senseis, além de eventualmente todos os praticantes mais antigos – faço um parêntese para realçar o brilhante serviço nesse sentido, que voluntariamente vem fazendo, na grande organização deixada por Kawai Shihan na América do Sul, o Sensei Pizzano, Herbert Gomes Pizzano, numa dedicação incansável, vem divulgando seguidamente, valores e fatos históricos da organização, que não devem nunca ser esquecidos por todos nós.

Ao escrever este texto me veio à lembrança de um elemento importante do caráter do Shihan Kawai: a bondade e a capacidade de perdoar seus desafetos. Por ser um líder forte, determinado e com muitas responsabilidades, muitas vezes algumas pessoas levavam algumas de suas decisões para o terreno pessoal. Hoje, aos quase 70 anos, vislumbro como é complexo lidar com os nossos semelhantes dentro de um grupo ou organização e vejo que um dos motivos para isso é que as pessoas se sentem incomodadas e desconfortáveis é por que pensam e avaliam os acontecimentos, do grupo ou organização, sem ter uma visão do todo de toda a sua idiossincrasia, numa comparação simplista, seria como um paciente que não tem todas as informações, objetivas, subjetivas e interações complexas de seu tratamento e fica desgostoso com o seu médico, por não entender o tratamento a que está sendo submetido, claro que por mais que ele seja informado, nunca vai ter a mesma visão e entendimento que o médico, mas não resta dúvida de que quanto mais dermos informações a ele, mais próximo ele estará de uma situação onde dificilmente haverá algum grave desconforto ou contrariedade em relação ao que o terapeuta lhe recomendou. No caso de um grupo ou organização esta função de disseminar as informações que ajudaram a formar essa percepção idiossincrática é daqueles membros mais antigos que tem um viés de formador de opinião, nossos “apóstolos”. Mas ser um disseminador de todos estes elementos dentro de um grupo traz muitas responsabilidades, como veremos a seguir.

Os perigos inerentes na formação da idiossincrasia de grupo.

Em um experimento dos anos 50, muito comentado no meio acadêmico, cientistas comportamentais americanos levaram para um acampamento, em uma ilha, adolescentes que se viam pela primeira vez. Ao desembarcarem foi distribuído a cada adolescente de uma forma aleatória, uma camiseta de cor azul ou vermelha, de forma que ficaram todos inseridos e identificados como participantes de um dos dois grupos. daquele momento em diante todas as atividades dos grupos eram feitas em separado e comiam em horários diferentes, dormiam em alojamentos distintos e nas brincadeiras, jogos e práticas esportivas, formavam equipes adversárias. 

O experimento teve que ser interrompido antes da “deadline” determinada, em função de as disputas em jogos terem se tornado violentas e com brigas despropositadas entre os Azuis e Vermelhos. Vale lembrar que nos anos seguintes diversos outros experimentos confirmaram esse fenômeno. Após um longo tempo de estudos têm surgido diversas teorias tentando explicar as origens do fenômeno, algumas no campo da Sociologia outras no campo da Antropologia, mas de alguma forma todas remetem a um sentimento, talvez atávico, de proteção e preservação, e desta maneira começa a brotar a falsa percepção de que tudo que tem em nosso grupo é melhor e mais valioso do que o outro ou os outros de modo geral. Este mecanismo foi muito valioso e benéfico, para a nossa espécie, num passado não muito distante, foi valioso e benéfico para a sobrevivência de diversos grupos humanos e pré-humanos, assim como tem sido também para diversos grupos animais que vivem em bandos. Mas no atual momento de nossa “evolução”, cabe uma pergunta este fenômeno ou mecanismo assim como está registrado em nossa herança primal, é benéfico ou maléfico?

Penso ser maléfico na medida em que ele de alguma forma toma corpo nos nossos comportamentos grupais destrutivos em disputas entre grupos radicais de torcedores clubísticos, grupos religiosos, raciais, políticos e outros grupos que se formam e hão de se formar no futuro, isto não quer dizer que nestes grupos nominados sempre vá haver uma tendência  a violência, mas é onde históricamente, eles mais se manifestam, a história recente de nosso País e de alguns outros demonstra cabalmente esse pensamento.

Mas por outro lado é benéfico por oportunizar ao homem realizar diversos feitos que levaram a uma excepcional melhora na qualidade de vida do ser humano, se analisarmos toda a trajetória histórica da humanidade sobre a terra, os grandes avanços sempre foram conseguidos através do esforço e trabalho de grupos, isto se vê na ciência, por exemplo, desde a criação da lâmpada, que não foi a criação de apenas um homem, mas o trabalho de um grupo em função de uma ideia, passando pela criação da primeira “máquina  computacional” moderna, Colossus, que daria início e sentido para os computadores modernos, trabalho que foi realizado por Alan Turing em conjunto com um grupo de cientistas com o intuito de decifrar os códigos secretos criados pela máquina enigma da Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, e ainda passando pelas grandes conquistas espaciais de Americanos e Soviéticos levadas a cabo sempre por grupos de homens que se engajaram com dedicação total a uma causa, até um dos últimos grandes feitos que foi o sequenciamento do Genoma Humano, que só foi possível após um um monumental projeto de trabalho grupal, conhecido como Projeto Genoma Humano (PGH), que durou 13 anos, o PGH foi composto por 17 países que iniciaram programas de pesquisas sobre o genoma humano. Os maiores programas foram realizados na Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, República Popular da China, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, México, Países Baixos, Reino Unido, Rússia e Suécia e outros países com menor participação.

Como vimos cabe a cada um de nós fazer o melhor uso desse poder inerente ao ser que é o de formar grupos. Talvez um remédio para quando estivermos em dúvida quanto a entrar na ’’onda’’ seria nos fazermos perguntas do tipo; Isto está em acordo com os meus valores? Isto é realmente uma vontade minha ou do grupo? Devemos fazer melhor uso de nossa consciência.

Cabe aqui também a pergunta, que tipo de grupo vamos escolher participar e se associar, a grupos maléficos ou benéficos? Mas aqui cabe outro questionamento, como identificar se um grupo é benéfico ou maléfico?

Para isso poderíamos nos fazer algumas perguntas esclarecedoras: 

  1. Os objetivos do grupo levam a valores como respeito a vida como um todo sem distinção de idade cor, religião ou qualquer outro tipo de segregação?
  2. As ferramentas e meios para atingir os objetivos do grupo respeitam a integridade e  a individualidade dos que não fazem parte do grupo?
  3. Os valores do grupo vão ao encontro dos meus?

Pensem sobre isso, estou a disposição para troca de idéias em vargas.aikido@gmail.com


R. Vargas

Vargas Aikido

INSBRAI

AGORA OU NUNCA MAIS

 

 

O povo Japonês tem a cultura de criar frases(yojijukugo) que sintetizam profundamente idéias e sentimentos filosóficos e culturais, fazem isto reunindo alguns ideogramas que tornam possível divulgar estes conhecimentos. Um exemplo significativo é a expressão “ichi go ichi e”, que transmite um ideal estético ligado aos conceitos zen-budistas e à consciência da impermanência de tudo que existe, e que por isto todos os instantes devem ser valorizados, principalmente os momentos que estamos com outras pessoas, seja um simples encontro, uma reunião familiar ou de negócios ou ainda um keiko(treinamento) de artes marciais  Esta expressão vem sendo interpretada de diversas formas, ao longo dos séculos, aqui vou citar duas “uma vez um encontro” e “agora ou nunca mais”. A primeira vez que tive contato com este provérbio Japonês, foi em Hiroshima num encontro com meu grande amigo Narita Sensei, quando ele olhou para o cèu, apontou para umas nuvens que estavam acima de nós e disse “este céu que está agora acima de nós dois jamais se repetirá” e pronunciou, “Ichi go ichi e”  

 

Apesar de já ter sido analisada exaustivamente sob a ótica do Chanoyu ou Chá-Do (Cerimônia do Chá) do Shodo(Caligrafia), Sumie e tantas outras, vamos tentar olhar este conhecimento, especialmente sobre a ótica das artes marciais.

No ambiente marcial, a importância do Ichi-go ichi-e aparece em vários momentos. Por exemplo, quando se reforça a idéia de que não existe um Keiko igual a outro; por tanto, se o aluno não compareceu a um determinado treinamento, aquele especificamente, nunca mais vai se repetir. As oportunidades de aprendizado, as interações que poderia ter tido com os colegas, os insights, tudo daqueles momentos foi perdido, não existe “vídeo tape” ou qualquer tipo de resgate tecnológico que nos propicie resgatar as vivências e experiências que poderíamos ter absorvido daquele treinamento. Como diria uma verdade Universal: “Você nunca pode se banhar na mesma água do rio, pois ela nunca é a mesma”. O rio da Vida não pára, está em eterna mudança. Como diz a tradição budista, “só existe uma coisa que podemos ter certeza no universo, é a eterna mudança, a impermanência, tudo no universo está sempre em eterna e permanente mudança, desde a partícula mais minúscula e simples até os organismos mais complexos como nós seres humanos. Tanto a pessoa com que você se relacionou ontem, como você mesmo, hoje não são mais os mesmos, seja em termos físicos ou aspectos psico-sociais, a sociedade, a família, os amigos, ou até a mídia, estão sempre exercendo alguma influência sobre o  nosso nível de consciência, nossa capacidade de empatia, estamos a todo o instante sofrendo influências do meio, sejam elas influências físicas, sejam influências psicológicas. Quanto mais caminharmos nessa linha de vislumbramento, mais vamos tomar consciência do valor e da importância de valorizar o presente.

Outro exemplo bem palpável está na prática das técnicas, dos Katas ou Katis. Dependendo da arte praticada, cada técnica que executarmos será única, terá os seus detalhes, as suas nuances; mesmo se pegarmos a mesma técnica como exemplo, podemos executá-la 5.000 vezes, nas 5.000 vezes ela vai ser diferente, nunca será igual. Por isso, e principalmente por isso, devemos tratar com reverência, respeito e atenção total ao momento de cada execução de técnica ou movimento, pois ela é única. Nunca se repetirá, pois sempre trará algo diferente.

O mais extraordinário, é que podemos levar este aprendizado e esta consciência a todas as nossas relações com o mundo. É assustador, mas ao mesmo tempo mágico, despertarmos para a consciência de que todos os instantes são únicos. Isto vale para as oportunidades que temos e que perdemos na vida. Tem uma expressão da cultura Gaúcha que diz: “O Cavalo encilhado só passa uma vez”. As oportunidades são raras e devem ser aproveitadas.

A percepção desta verdade universal, de que estamos sempre em eterna mudança, me faz lembrar as palavras de um pensador hindu chamado Krishamurti, por um outro viès ele nos diz que devemos sempre olhar tudo como se fosse a primeira vez e isto vale para qualquer coisa, desde uma simples pedra, uma planta, até uma pessoa. Assim ele disse: O pensamento construiu estes símbolos, imagens, ideias. Posso eu olhar, primeiro, a árvore, a flor, o céu, a nuvem, sem uma imagem? A imagem da árvore é a palavra que aprendi dando certo nome à árvore, diz sua espécie e lembra sua beleza. Posso olhar àquela árvore, àquela nuvem, àquela flor, sem pensamento, sem a imagem? Isso é bem fácil de fazer, se você já fez. Mas posso eu olhar sem imagem para um ser humano do qual sou íntimo, que considero como esposa, marido, filho? Se não posso, não existe relação verdadeira: a única relação é entre as imagens que nós dois temos.”  e ainda mais; “Embora você tenha me insultado, embora tenha me ferido, embora tenha dito coisas sórdidas sobre mim ou me elogiado, posso olhar para você sem a imagem ou a memória do que você me fez ou me disse?  Vejam a importância disto, pois apenas uma mente que retém as memórias de ferida, de insulto, está pronta para perdoar se ela tem essa inclinação de fato. A mente que não fica armazenando seus insultos, os elogios que recebe, não tem nada para perdoar ou não perdoar; e, assim, não há conflito.”
Numa tentativa de facilitar o nosso entendimento e evitar uma censura de nosso ego, ele cita o exemplo de uma Flor: Devemos olhar a flor como se fosse a primeira vez que a víssemos e não deveríamos nomina-la, por exemplo, olhar sem pensar isto é uma Rosa ou isto é tal coisa, por que ao fazermos isso estaremos trazendo para o presente todas as definições imagens e conceitos que temos sobre aquela planta, aquele objeto ou até àquela pessoa. Pelo que tenho percebido pela minha experiência é mais complicado exercitar isso nas nossas relações com pessoas, do que com aqueles que não são “iguais” a nós, talvez por isto Krishnamurthi começa com o exemplo da flor. Quando olhamos para uma pessoa, ao vincular-mos ela a um nome, trazemos àquele momento todas as lembranças, conceitos e pré-conceitos que temos dela

 

Para ter um novo tipo de consciência e de comportamento, devemos cultivar hábitos que transformem nossa relação com o mundo um destes é cultivar a atenção total ao presente, estar presente com todos os nossos sentidos, visão, audição, olfato, aliados à nossa percepção dos outros, com sensitividade e empatia.

 

Na prática do Aikido encontramos vários ensinamentos para a vida, as grandes oportunidades de nos tornarmos cada vez melhor surgem a todo o momento durante uma prática psicomotora, carregada de filosofia, como a do Aikido. Desde coisas mais óbvias, como não responder uma agressão com outra agressão, até as mais sutis como a prática da gratidão (GIRI), por isso cada treinamento é também uma oportunidade de crescimento como ser humano. Tudo que se pratica e se desenvolve dentro do tatame pode e deve ser levado para fora do Dojo. Para nosso melhor convívio social, com nossos semelhantes, com os outros animais e a natureza em geral.

 

Estas colocações me fazem lembrar das inúmeras vezes em que o seito (aluno), interrompe uma técnica no meio, porque acha que não está correta, então para e tenta começar tudo novamente. Esta é uma atitude equivocada, por vários motivos: primeiro, porque o praticante deve se habituar a fazer o movimento até o fim, pois numa situação real não haverá oportunidade de refazer o movimento, sendo uma questão de “agora ou nunca mais”; segundo, porque durante o treinamento o erro faz parte do aprendizado. O erro não deve ser execrado, ele é nosso professor, nós aprendemos com os erros, olhando eles de frente e tendo consciência deles é que vamos crescer, se o ignorarmos e o colocarmos “para baixo do tapete”, jamais cresceremos.

Não deixemos para depois. Vamos viver totalmente o presente, viver como se não existisse uma segunda chance, “agora ou nunca mais” ICHI GO ICHI E.

DESEJOS DE FELICIDADES

O ato de escrever para um grande amigo que me desejou felicidades neste Natal(?) e no ano que se aproxima, me inspirou a escrever a todos os amigos, alunos e pessoas com que compartilho ou já compartilhei, de alguma forma, o meu viver neste espaço/tempo que é o nosso mundo atual. Não vou desejar felicidades para vocês. Por quê? Porque tenho certeza que vocês, assim como eu e meu amigo, já perceberam, que a felicidade depende apenas de nós mesmos e, mais do que isso, depende de onde colocamos nossos valores, nossas metas.

Nossa felicidade sempre vai depender de nossas escolhas. De nossas escolhas de hoje, dependerá a nossa felicidade de amanhã, assim como o grau de felicidade que temos hoje foi determinado pelo que fizemos ou deixamos de fazer ontem, ela estará, indubitavelmente, interligada com a qualidade de nossas escolhas de ontem. Se colocamos nossos valores e nossas metas em “ter coisas” materiais e externas, facilmente conseguiremos, a médio e longo prazo, aumentar nossas chances de sermos infelizes, por outro lado se colocarmos o nosso foco em valores e metas interiores, criando hábitos que nos tragam mais saúde física, emocional e espiritual, com certeza estaremos investindo em felicidade. Todos os caminhos do conhecimento humano, nos indicam uma direção muito clara, que as vezes não percebemos por que estamos cegos pela ânsia de “ter coisas”.

A verdadeira felicidade não está no Shopping. Ela está em lugares que não precisamos ir de carro, pagar estacionamento e nem impostos, ela está dentro de nós, em nossa mente, ou, simbolicamente, em nosso coração, onde habita o nosso SER. Tanto a ciência, como a filosofia e os grandes movimentos espirituais, nos indicam “coisas imateriais”, que podemos “fabricar” dentro de nós através da criação de HÁBITOS transformadores.

HÁBITOS TRANSFORMADORES:

Perdão: Perdoar liberta, liberta seu “coração”, liberta sua energia mental e emocional, liberta seus sonhos, te liberta daquele ou daquilo que te machucou…

Gentileza: Ter um sorriso verdadeiro e expressar interesse e preocupação com as necessidades dos outros, melhora a nossa resiliência emocional e reduz a nossa tendência à depressão e à ansiedade, tornando nossas relações mais pró-ativas e verdadeiras

Respeito ecológico: “Por onde você passar, seja onde for e como encontrar, quando sair procure deixar melhor, nunca pior do que quando chegou”

Gratidão: Desenvolver o hábito da gratidão nos aproxima da percepção de totalidade, de que somos parte de tudo que nos cerca.

Pense coletivamente, o mundo já está cheio de individualidades: “Sozinho eu vou mais rápido, mas quando chego estou só. Quando em grupo, vamos talvez, mais lento, mas vamos mais longe e quando chegamos temos a companhia daqueles que nos acompanharam no trajeto.”

Pensem nisto e Boas Festas