Saúde Pública: uma lição da pandemia e o Sistema de Universal de Saúde

A crise sanitária provocada pelo coronavírus (SARS-CoV-2) escancarou um erro grave cometido, pelo Congresso brasileiro: a retirada de verbas bilionárias do SUS por meio da PEC 95. Em um momento crítico, ficou evidente que enfraquecer o sistema público de saúde tem consequências diretas sobre a vida da população. A pandemia também revelou a fragilidade da saúde privada diante de grandes emergências sanitárias. Estruturada para o lucro e não para crises coletivas, ela não investe em infraestrutura e insumos que só seriam utilizados em situações excepcionais. Esse problema não é exclusivo do Brasil. Os Estados Unidos, mesmo sendo uma das nações mais ricas do mundo, enfrentaram enormes dificuldades justamente por não possuírem um sistema universal de saúde. Paradoxalmente, o Brasil, apesar de todas as limitações impostas ao SUS, conseguiu oferecer uma resposta relativamente melhor à sua população. Ainda assim, é evidente que, sem os cortes impostos pela PEC 95, os resultados poderiam ter sido muito mais positivos.Diante desse cenário, a conclusão é clara: é urgente defender a revogação da PEC 95 e ampliar os investimentos no SUS. Nosso sistema já é bem avaliado e, com mais recursos, pode se tornar referência internacional, aproximando-se de modelos consolidados como os da Europa. Com melhorias significativas, o SUS poderia inclusive atrair pessoas que hoje recorrem a planos privados, cada vez mais caros e inacessíveis.No período pós-pandemia, este deve ser o novo paradigma dos governos responsáveis. sejam de esquerda ou de direita: mais investimento do Estado em saúde pública, educação e pesquisa, aliado a políticas que promovam uma melhor distribuição de renda e garantam dignidade para toda a sociedade

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