A crise sanitária provocada pelo coronavírus (SARS-CoV-2) escancarou um erro grave cometido, pelo Congresso brasileiro: a retirada de verbas bilionárias do SUS por meio da PEC 95. Em um momento crítico, ficou evidente que enfraquecer o sistema público de saúde tem consequências diretas sobre a vida da população. A pandemia também revelou a fragilidade da saúde privada diante de grandes emergências sanitárias. Estruturada para o lucro e não para crises coletivas, ela não investe em infraestrutura e insumos que só seriam utilizados em situações excepcionais. Esse problema não é exclusivo do Brasil. Os Estados Unidos, mesmo sendo uma das nações mais ricas do mundo, enfrentaram enormes dificuldades justamente por não possuírem um sistema universal de saúde. Paradoxalmente, o Brasil, apesar de todas as limitações impostas ao SUS, conseguiu oferecer uma resposta relativamente melhor à sua população. Ainda assim, é evidente que, sem os cortes impostos pela PEC 95, os resultados poderiam ter sido muito mais positivos.Diante desse cenário, a conclusão é clara: é urgente defender a revogação da PEC 95 e ampliar os investimentos no SUS. Nosso sistema já é bem avaliado e, com mais recursos, pode se tornar referência internacional, aproximando-se de modelos consolidados como os da Europa. Com melhorias significativas, o SUS poderia inclusive atrair pessoas que hoje recorrem a planos privados, cada vez mais caros e inacessíveis.No período pós-pandemia, este deve ser o novo paradigma dos governos responsáveis. sejam de esquerda ou de direita: mais investimento do Estado em saúde pública, educação e pesquisa, aliado a políticas que promovam uma melhor distribuição de renda e garantam dignidade para toda a sociedade
Mês: abril 2020
Dificuldades geram facilidades
A filosofia oriental nos ensina que a dificuldade gera facilidade. Isso significa que são justamente as dificuldades e os obstáculos que nos fazem crescer. O oposto — a excessiva facilidade e a ausência de desafios — tende a nos conduzir à acomodação e a uma perigosa zona de conforto.Por isso, ao longo dos últimos anos, de forma quase “anedótica”, tenho desejado, em minhas mensagens de Ano Novo, que todos nós enfrentemos um pouco de dificuldade, até mesmo de “sofrimento”, como caminho para o crescimento. Costumo também alertar para que nos preparemos, pois a vida neste planeta tende a se tornar cada vez mais desafiadora. Ao revisitar mensagens antigas, percebi que já expressava essa ideia em 2016.Nesse mesmo período, tenho ressaltado que um dos grandes benefícios da prática do Aikido é o desenvolvimento da resiliência. A resiliência é a capacidade de, após uma força ou situação que nos retira do estado de normalidade, conseguirmos retornar íntegros ao nosso eixo. O bambu é um exemplo clássico: mesmo após a tempestade, ele se curva, mas retorna à sua posição original.As dificuldades que atravessamos criam oportunidades de crescimento, aprendizado e fortalecimento da nossa resiliência. Por fim, é importante lembrar que o sofrimento — ou o grau de sofrimento — é, em grande parte, construído por nós mesmos. Ele resulta da forma como vivenciamos e assimilamos os desafios que a vida nos apresenta. Está, portanto, ao nosso alcance ampliar ou reduzir esse “sofrimento”, conforme a maneira como escolhemos enfrentá-lo.